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aung san suu kyi
ao longo do tempo, fui.me tornando cada vez mais viciada em tudo o que é filmes, especialmente nos que retratam histórias verídicas, ou funcionam como espelhos do que acontece, mesmo que não venham com o selo de "isto aconteceu mesmo". devido a esse meu fascínio, dou supremacia a documentários (apesar de escolher a dedo, os tópicos em questão) e alejando gonzález iñarritu, tornou.se o meu realizador preferido. mas o que me levou a estas escolhas não é a intelectualidade, mas a preguiça. os documentários são quase uma conversa que se tem no bar, enquanto se bebe uma cerveja, são conversas sobre coisas reais, mesmo que sejam tão brutais e se tornem apenas paralelos espaciais às nossas conversas banais. não vêem em formato de livro, que nos cansa a vista e o cérebro com pormenores, que gastamos pestanas a tentar imaginar na nossa cabeça.
tudo isto para sustentar a questão de: querem saber história e o que se passa no mundo, mas as notícias são demasiados iguais e os livros demasiado chatos? vejam um documentário.
tendo isto em consideração, venho sugerir um documentário sobre aung san suu kyi, que quem não conhecer pelo nome, que é sempre o meu caso, reconheço sempre o seu rosto:
em 1991 foi presenteada com o prémio nobel da paz pela sua luta pacífica pelos direitos humanos e pela democracia na birmânia. hoje na rtp1 às 20h57 irá passar um documentário sobre a sua vida e as suas lutas para atingir o seu objectivo.
slavery footprint
uma das coisas que mais se tem ouvido falar nos últimos tempos é a pegada ecológica, que nos permite perceber o quanto contribuímos para o desgaste do planeta. para além de nos dar uma perspectiva do quanto prejudicamos o ambiente, comparativamente ao que podíamos fazer, faz.nos pensar sobre os possíveis cortes que podemos fazer relativamente a gastos desnecessários.
partindo desta metodologia, já comum aos seres humanos normais, encontrei um instrumento que faz parte de uma campanha, mas de awareness relativamente à escravidão ainda existente no mundo. muitos de nós já ouviram nas notícias sobre as fábricas da nike que empregavam crianças, ou mais recentemente o escândalo em torno da apple no new york times, sobre as condições nas fábricas sub.contratadas na china. claro que isto nos faz pensar no quão "más" as empresas são, no entanto, qual é a nossa parte nisto tudo?
neste site, cada pessoa introduz os seus hábitos de consumo e no final terá um resultado deste género:
após o resultado, recebem informações relativamente aos vossos resultados e à média global, tal como quais os factores que mais contribuíram para o vosso resultado.
fatalidades
Sabiam que existe uma lei nos e.u.a. que proíbe a sua alocação de fundos às nações unidas ou a uma agência afiliada, que aceite a palestina como nação-membro?
"Limitation on Contributions to the United Nations and Affiliated Organizations
Public Law 103-236
(a) Prohibition. - No funds authorized to be appropriated by this Act or any other Act shall be available for the United Nations or any specialized agency thereof which accords the Palestine Liberation Organization the same standing as member states."
Infelizmente, não é uma piada, apesar de aludir a esse estatuto. Para os mais cépticos ou os igualmente interessados, vejam este pedaço do the daily show, que tem apenas 5 minutos, e podem ficar a perceber minimamente do que é que esta lei se trata e, qual é a opinião do governo dos e.u.a., que recentemente retirou os seus fundos à unesco:
a rússia e a democracia
em tom adulto, transformo as histórias da anita, em lições mais complexas que o new york times tenta.me ensinar durante um certo prazo; depois de tantos natais da minha infância a receber aqueles livros que eram para mim, o equivalente às meias que os parentes afastados costumam dar (pelo menos nos filmes), agradecia que tais familiares me oferecessem uma subscrição deste jornal e se calhar o mundo seria melhor.
no entanto, aproveitando o bom humor do site do jornal, realmente existe uma lição a ser apreendida, não com a anita, mas talvez com a rússia e a sua população que não desiste da democracia a que tem direito. não saberia dizer que putin realmente teria ganho ou não, mesmo que não existisse a sua maioria, nas notícias ainda se ouviram algumas pessoas dizerem que estão bem como estão e, putin é o equivalente a manter as coisas como estão.
quer a vitória pertença a putin ou não, putin revela.se como o eterno perdedor, tendo em conta a falta de credibilidade da sua votação. em oposição, a população revolta.se e quase que poderíamos dizer que vemos a versão credível do hemisfério norte da revolução de tahir. neste caso, parece que o povo russo ouviu as indicações de howard beale em network e decidiu não aturar mais a manipulação dos votos, tal como o poder de vladimir putin.
para além de aplaudir o descontentamento russo com os respectivos protestos, penso que cartazes como "goodbye, putin" são representantes do ataque que esta eleição poderá ter custado à democracia, especialmente quando lemos no artigo "after elections, putin faces challenges to legitimacy" que os observadores das eleições admitiram que existiram menos violações nestas eleições do que nas parlamentares.
mas existe alguma esperança no descontentamento dos russos que gritam "putin is thief, we are the government", segundo o artigo, algumas pessoas acham que o protesto veio para ficar e que putin vai ter que ceder a uma melhoria governamental ou simplesmente ceder o seu lugar à democracia.
the number: 7 billion
7 biliões, still counting. mas o que é que isso significa? este artigo (click no título) na national geographic, transforma as estatísticas que tanto nos incomodam em infografias interactivas salientando o desenvolvimento nas grandes disparidades verificadas especialmente a nível do hemisfério norte e sul. aliada a esta informação mais difícil de armazenar, é apresentada uma galeria fotográfica ao alto nível da national geographic, que demonstra os diferentes problemas criados pelo constante crescimento da população e o consequente aumento de destruição. alinhado com esta galeria, está uma série especial dos artigos publicados durante um ano sobre as consequências do número 7, que por sua vez nos levam a um mundo de explicações interactivas e fotográficas. um must read, para os que compõem o grande número.
syria calling
síria, o país nas bocas do mundo e, nas pontas dos dedos das nações unidas. a síria surge como o seguimento da líbia, um país governado por um ditador chamado mr. assad que partilha as práticas de violência de muammar gaddafi e, cujo regime as nações unidas põem em causa e pedem que o presidente assad se demita para que o país possa prosseguir para uma democracia.
este pequeno parágrafo levanta inúmeras questões nas entrelinhas, em que na minha opinião, a maioria do mundo não se pergunta e muito menos se apercebe da sua presença e no que isso poderá significar para o mundo e, numa perspectiva mais egoísta tão típica das famílias ocidentais, do nosso futuro. quero eu com isto dizer, que a filosofia das famílias ocidentais relativamente a questões do meio oriente, ainda consegue ser pior do que as suas posições relativamente a áfrica. quanto a áfrica temos pena do que lá acontece e, então tornou.se no destino de caridade para quando as consciências se tornam pesadas juntamente com as carteiras ou quando simplesmente, se quer ser corajoso e, se diz para si próprio "um problema são as crianças de áfrica, não é isto que estou a passar!" e pronto, assim ajudamos o nosso dia a passar de forma mais leve e menos conscienciosa dos nossos problemas.
o médio oriente é uma nova questão. quase que diria e, devo admitir que é ofensivo, mas o 11 de setembro quase que parece uma estratégia de branding em que se segue o lema das celebridades "boa ou má publicidade, o importante é ter publicidade!". a verdade é que só ai o oriente ganhou um sítio no mapa para as famílias ocidentais (claro que ficará sempre a questão, se a empresa que protagonizou tal estratégia de sucesso de branding será o governo americano ou o famoso al-qaeda, que para um grupo que se quer manter escondido, faz bastante sentido ter.se tornado no gang mais famoso do mundo). o 11 de setembro, aquele evento que marcou a história e, que ninguém realmente se importou com a investigação no mesmo, deu o argumento ocidental assinado pelos estados unidos, para atacar quem quiser, quando quiser, sem motivo qualquer. lá se entrou pelo afeganistão, prosseguiu.se para a terra das armas nucleares que não existia e, curiosidade das curiosidades, um ditador que cortava as mãos às pessoas. e, os estados unidos, heróis do mundo com os seus militares salvaram o iraque da ditadura e, nos bastidores espancaram os iraquianos que puderam e, levaram para guantânamo outros tantos, com a mesma filosofia, do vão para onde eles quiserem, quando eles quiserem e sem os motivos que quiserem. quase que diria que isto parece o cenário das conquistas que a américa não teve, por ter nascido tão tarde e, agora estar a tentar criar história às três pancadas e fazendo guerras com tiros, porque não aprenderam a lutar com espadas e socos.
para além da soberania americana por terras do médio oriente, surgem as nações unidas, que condenaram gaddafi pelo seu governo e a maneira que tratavam a sua gente e, forças militares ajudam a derrubar o sr. e, ele morre em praça pública. diria mesmo que a única justiça que foi feita pela população da líbia foi só mesmo a morte de gaddafi, porque tudo o resto deve.se à ajuda necessária das nações unidas. e, agora surge a síria, mais ou menos o mesmo exemplo:
ditador + população que sofre = nações unidas preocuparem.se com a falta de democracia.
e dentro das nações unidas surgiu o debate: qual é a legitimidade que as nações unidas têm para interferir em assuntos nacionais e decidir o que é bom ou não e atacar ou não?
e aqui surge mais um dilema, será que essa legitimidade depende das intenções por detrás da decisão? curiosamente o médio oriente é conhecido pela sua produção de petróleo. mas isso é apenas um facto que de certeza que as nações unidas, especialmente os estados unidos, não têm em conta para decidir os governos que devem ser postos em causa ou não. no entanto, não é só os países que acham ter legitimidade para deitar governos abaixo que escondem más intenções. curiosamente também, a rússia e a china, opõem.se a esta legitimidade para poder decidir o que é bom ou mau, mas talvez porque quando os ditadores tiverem sido todos deitados abaixo, o alvo dessa legitimidade sejam eles próprios. e, claro que sem a ditadura na síria, talvez a balança de negócios russa a nível de armamentos, sofra com isso.
curioso, que os países com mais problemas a nível europeu, estejam todos em efervescência com a possibilidade das pessoas que lhes dão dinheiro poderem vir gerir as contas públicas; mas talvez se lhes perguntarem se as nações unidas podem intervir militarmente noutro país, eles estarão mais que à vontade para tal.
mas todo este debate da síria, ainda traz mais uma curiosidade, mais uma vez, relacionada com os e.u.a. obviamente. quem é o novo alvo dos e.u.a. por supostamente ter armas nucleares (e até as devem ter...)? o irão. o irão cuja empresa nacional de petróleo é a segunda maior do mundo. e curiosidade das curiosidades, a síria, é o principal aliado do irão no médio oriente. estas coincidências geográficas são incríveis.
outra questão e, essa sem dúvida, deriva de ser uma questão bastante importante para mim, é israel. israel continua a ocupar áreas da palestina, a dificultar a vida em gaza, destruindo hospitais e escolas, matando civis. ou seja, um conflito entre dois países, as nações unidas condenam mas não fazem nada, mas entrar por um país a dentro e dizer que o governo está errado já pode acontecer.
é assim que o mundo anda e, ninguém parece se preocupar com isso. o egipto esteve na moda nas redes sociais por causa da revolução em tahrir square, até na occupy london em st. paul's cathedral, ouvi que o que aconteceu no egipto é um exemplo de que as pessoas podem conseguir e, é uma inspiração. curioso, é que depois da revolução, ninguém se preocupou em saber o que aconteceu depois. admite.se que tudo correu bem e, usamos a tahrir square como motivação sem saber realmente o seu conteúdo.
é assim que o mundo anda e, tento que ao escrever as pessoas percam apenas algum tempo para ler uma síntese do que está a acontecer e o que poderá acontecer, só porque não estão atentas, ou simplesmente as notícias certas são difíceis de encontrar no meio de tanto lixo que passa nos jornais e na televisão.
recomendo um artigo sobre o caso da síria e um vídeo sobre o pós-tahrir square:
em perspectiva: o conflito israel-palestina
sendo o conflito entre israelitas e palestianos um dos conflitos mais mediáticos da história, penso que qualquer pessoa deveria saber o que se passa e o porquê dos ataques de bombistas suicidas que crescemos a ouvir nas notícias nas fronteiras entre os dois países.
apesar de já ter lido um livro e, umas quantas pesquisas que fiz posteriormente sobre o assunto, nunca vi um método em que a situação é tão facilmente explicada e relatada imparcialmente, como o modelo interactivo que encontrei no new york times que explica o conflito através de vídeos de reportagens, vídeos com elementos dos dois lados e, o que é refrescante, é ver pessoas normais que convivem naquelas condições a expressarem as suas opiniões, em vez dos habituais extremistas e os conflituosos políticos.
todas as partes pelo qual o conflito foi dividido, estão extremamente claras e, vale a pena ver todas para compreender na totalidade as vertentes que levam à não-resolução deste conflito.
deixo aqui o link e insisto na visualização destes conteúdos:
Challenges in Defining an
apesar de já ter lido um livro e, umas quantas pesquisas que fiz posteriormente sobre o assunto, nunca vi um método em que a situação é tão facilmente explicada e relatada imparcialmente, como o modelo interactivo que encontrei no new york times que explica o conflito através de vídeos de reportagens, vídeos com elementos dos dois lados e, o que é refrescante, é ver pessoas normais que convivem naquelas condições a expressarem as suas opiniões, em vez dos habituais extremistas e os conflituosos políticos.
todas as partes pelo qual o conflito foi dividido, estão extremamente claras e, vale a pena ver todas para compreender na totalidade as vertentes que levam à não-resolução deste conflito.
deixo aqui o link e insisto na visualização destes conteúdos:
Challenges in Defining an
Israeli-Palestinian Border
die welle (2008)
107'
país: germany
ano: 2008
realizador: dennis gansel
imdb: 7,5
"a onda" é o nome do filme em português e que retrata uma experiência a nível de ensino de ciências políticas numa escola alemã, em que um professor de tendências anárquicas é posto a ensinar durante uma semana o conceito de autocracia (em termos simples consiste num regime político em que o poder está concentrado numa só figura de poder).
esta aula começa com uma pergunta que define todo o trajecto do filme apesar de a meio do filme já não nos lembrar-mos dessa pergunta tal é a imersão na experiência como espectador: seria possível existir na alemanha de hoje uma ditadura? esta pergunta gera pequenos debates, um que considero especialmente interessante e que se encontra bastante implícito numa viagem a berlim, é o papel do regime de hitler na alemanha actual: deverá ser visto como uma lição e algo que não define os alemães na sua totalidade ou será uma responsabilidade histórica sentir a culpa pelos actos que ocorreram ainda nos dias de hoje?
devido a estes debates, o professor decide levar a experiência com a duração de uma semana um bocado mais longe e questionar sobre as condições que levam e definem um sistema autocrata e, em cada dia aplicar cada uma das suas vertentes. a construção de um regime autocrata na turma por passos torna imperceptível para os personagens o impacto que a experiência começa a ter neles próprios como indivíduos mas também como um grupo inserido num contexto social.
em primeiro lugar, o que me salta à vista na primeira parte do filme, é como é possível apesar de tudo criar uma situação de ensino muito mais real, cooperativa, que permita os jovens para além de compreender perceber todas as perspectivas que o mundo e a história envolvem. neste filme, vemos um professor anárquico a ensinar um regime autocrata, vemos a perspectiva de jovens de um país marcado pela responsabilidade de um holocausto que os define como cidadãos. apesar da aplicação de um sistema autocrata dentro de uma turma, se desmontar-mos os momentos iniciais de definição deste sistema na aula, podemos ver que o professor apenas instala regras de disciplina e união: regras de intervenção de debate, criação de situações de debate, dar voz às opiniões dos alunos e dar-lhes responsabilidade de definição de condições para um sistema colectivo. penso que de certa forma o filme acaba de tal forma que quase nos faz esquecer que o que descarrilou se deveu ao ponto que os alunos levaram a informação e a experiência, para um lado emocional que permitiu que perdessem o controlo entre a fronteira entre o que é real e o que não é.
o filme alerta-nos também para uma realidade presente na geração actual: a susceptibilidade a novas ideias e, completa rendição às mesmas sem debate ou fundamentação. tal como apresentei no post anterior a opinião de alberto gonçalves, a população jovem hoje, em portugal e não só, sai às ruas para debater-se contra um inimigo, mas sem qualquer fundamento, apenas vontade de se opor a algo. logo no início do filme penso que apesar de subtil é relevante o suficiente quando um aluno numa festa questiona outro sobre o que é que existe para lutar nos dias de hoje, que tudo o que ser jovem hoje em dia é ir a festas e viver a vida, sem ter nenhum objectivo comum. penso que isso reflecte os jovens de hoje que vivem na sombra de lutas pelos direitos que hoje desfrutamos (25 de abril, a queda do muro de berlim, maio de 1968, etc) e, tal como dizia alberto gonçalves, estes jovens vão para as ruas com clichés revolucionários a gritarem como se tivessem na praça tahir no egipto, no entanto subtrai-se-lhes os argumentos e adiciona-se um desrespeito pelos que andam efectivamente a lutar por razões plausíveis com fundamentos relevantes.
no entanto, não é apenas esta a razão que leva estas debandas por manifestações e descontrolo. no filme, o argumento está organizado de tal forma, que existem clusters de personagens que representam diversas razões para o despoletamento de uma experiência escolar num movimento autocrata e rebelde. outra razão que é constantemente abordada relativamente às novas gerações é o facto de os jovens crescerem "sozinhos" com níveis altos de dependência económica mas também de independência social. até que ponto deve ser levada a independência social? em que crianças aos 13 e 14 anos já andam pela rua a beber, a quererem-se fazer adultos sem terem maturidade para acarretar as consequências devidamente e, ainda por cima estando ainda mais susceptíveis a qualquer tipo de exemplo, que cada vez se vê menos a ser dado dentro de casa. isto cria um novo perigo, pois qualquer um persistente o suficiente e com as tecnologias de dispersão de informação dos dias de hoje, consegue criar um movimento de revolução mesmo que seja oco. não só vemos isto nas manifestações de hoje nas nossas avenidas, mas ainda mais gravemente transpostas no que aconteceu nas ruas de londres e manchester por exemplo. a causa que supostamente todos criaram a primeira manifestação apenas atiçou um rasto de destruição que estava à espera de ser despoletado para os jovens descarregarem não só a sua rebeldia pela inexistência de um significado para a sua vida mas também pela inexistência de um suporte familiar que saiba dar orientação.
existe algo que me desilude bastante nesta geração apesar de termos que atribuir culpas às gerações que permitem que as coisas cheguem a este ponto. estamos no auge da era da informação, algo que não acontecia nos anos 60, 70 ou 80 e, no entanto vemos a geração mais estúpida que já deve ter existido. se existe algo que defendo, é que estúpidos ou burros não são os iliterados e as pessoas que por exemplo no interior da turquia continuam a votar em regimes que já deixam de representar o país; burros e estúpidos, são aqueles que têm acesso a aprender, a informação e nada fazem com ela. são todos aqueles jovens que têm licenciaturas (seja no que for...) e vão para manifestações reproduzir frases que não sabem o seu significado. no filme, vemos jovens que perdem as suas personalidades por um colectivo, sem fundamento ou qualquer tipo de inteligência crítica. a união faz a força, mas para existir união todos devem seguir algum objectivo comum que esteja devidamente fundamentado para que a união faça sentido.
cada vez mais a informação perde o seu valor (a não ser nos mercados financeiros, mesmo que sejam meras especulações...) e as emoções tomam conta das pessoas. até a minha área, o marketing, já nos prepara para isso, claro que torna tudo mais interessante para tentar vender produtos, mas a emoção não deve ser totalmente cega, no que toca à nossa vida em sociedade e ao nosso papel como intervenientes e constituintes da mesma.
todos estes são aspectos que o filme traz ao de cima e, voltamos à pergunta inicial após os confrontos no reino unido e as manifestações que por cá se passam: será que não corremos o perigo de uma revolução que pode ser despoletada a qualquer momento? não falo do fim dos dias, falo apenas do medo de burrice organizada aliada a movimentos de destruição, que continuam a ser negligenciados e ignorados.
RATING: 5/5
artigos de opinião
dois artigos de opinião que achei bastante interessantes na revista sábado que passo a citar por estes lados:
"as linhas da ira
cartazes de papelão por todo o mundo, da wall street à rua direita de algures: "contra o capitalismo, incivismo!". e etc.
daqui à guerrilha urbana em roma vai um passo. ou não. depende de quem conduz à indignação. mas não se confunda a discussão sobre quem conduz com o debate sobre as razões da ira. estas são conhecidas, e não podem ser esquecidas.
em madrid, caminhei com as multidões a convergira da praça colón, de callao, de alcalá, de são bernardo, da princesa, do passeio do prado, da chique castellana e da mais depredada gran via (para a minha juventude, era a avenida josé antónio), na direcção das portas do sol. dos clamores nacionalistas de outros tempos nascem agora, sobretudo numa larga massa jovem, gritos contra os "estados das coisas".
uma pequena discussão junto à feira do livro antigo, nas imediações de recoletos, foi esclarecedora: um grupo de protestantes (penso que belgas) descia a avenida. alguns dos animadores pediam a uma mão cheia de catalães, que subia, na direcção oposta: "juntem-se a nós, camaradas! é pelo emprego!" resposta de um dos jovens, de barcelona: "gostava muito, é domingo e dia de senhor, mas tenho de ir trabalhar!"
a partir daí as coisas azedaram, mas a discussão foi interessante, embora não frutuosa: pareceu-me a história do ovo e da galinha. e todos acabaram por concordar sobre o que não queriam. mas não disseram o que desejavam. ou onde estava o "inimigo". eis um problema.
o que nos leva às verdades. a primeira diz-nos que a doença europeia não cabe toda no mesmo saco. tomemos a grécia. pode imaginar-se que o seu fogo devia ser combatido não com austeridade, mas "crescimento". o problema é que, entre 1999 e 2007, a grécia cresceu a passos de gigante, teve alguns dos melhores números europeus (quase 5% ao ano) e desaguou na amargura. é que o "crescimento" foi baseado no descontrolado endividamento do estado, seguindo uma tradição de 1975, e sobretudo de 1993.
a segunda verdade afirma que não se pode ter o bolo na mão e comê-lo, ao mesmo tempo. não se pode ser "capitalista" e, com a corda ao pescoço, pedir ao estado que nos salves as herdades ou os bancos. na islândia, todo o sistema de crédito faliu, o governo decidiu não resgatar a banca e seguiu por outro caminho. com algum sucesso. na irlanda, o pedido internacional de resgate teve como origem, precisamente, não o "estado social" e as suas despesas, mas a ajuda camuflada, sistemática, ruinosa, a uma banca irresponsável e fraudulenta, que desequilibrou o orçamento, levando um défice quatro vezes superior ao português.
o culpado é o sector público ou os "privados"? na rua espanhola estava de tudo, incluindo os gestores de empresas do estado. mas o problema não é o mesmo em todos os países da eurozona. portugal já privatizou muito do que há a libertar nas últimas décadas. quanto à grécia, tem ainda quase seis mil empresas públicas."
as linhas da ira III
é no meio de tudo isto que temos de colocar o dilema português. o nosso cancro é igual e diferente. não é só a obscuridade dos últimos anos, a ambiguidade entre o público e o privado, a vergonha do bpn e quejandos, a protecção do trono aos magnates fidelíssimos (e vice-versa), o tratamento dos outros como enteados, mas ainda a cultura do esbanjamento e da facilidade, o desprezo pelo trabalho esforçado e pelo mérito baseado neste, o problema da abdicação da qualidade e da quantidade. como me diziam em madrid, portugal "está na moda" e é visto como um pequeno país movido a cafeína, capaz de surpreender o mundo e de reagir, sempre com os nervos à flor da pele, de forma rápida e decisiva.
mas "estar na moda" cheira a precariedade e fama passageira. não é isso que queremos, mas antes coerência e, como hoje se diz, mudança "sustentável".
pelo caminho, claro, terá de existir rigor e exemplo do estado, suor e lágrimas. mas antes isso que sangue."
nuno rogeiro in relatório minoritário na revista sábado.

"o fim de um mundo
(...) claro que, no último sábado, alguns indignados de lisboa e do porto passearam telemóveis e computadores enquanto exigiam o extermínio do sistema económico que lhes permite passear telemóveis e computadores. mas por cá a piada prende-se mais com as reivindicações alusivas ao regime político. é possível que a concentração em frente à assembleia da república e não junto de qualquer símbolo financeiro resultasse do acaso. o que não é casual é a determinação expressa por tantos de substituir uma democracia vigente por uma democracia dita "autêntica".
até aqui nada de estranho. também eu ando descontente com uma democracia que remove fatia considerável dos meus rendimentos para sustentar o estado e as suas clientelas, ou para comprar votos de calaceiros que preferem o rendimento mínimo ao trabalho. aliás, no dia em que marcarem uma "acampada" por exemplo à porta da mota-engil ou da rtp ou da fundação saramago ou de um centro de emprego, comprometo-me a fornecer três saco-cama a título de apoio logístico (...).
porém, semelhante hipótese é altamente improvável. a alternativa democrática que os nossos indignados defendem não passa pela redução do mostrengo que asfixia tudo à sua volta. passa por quê então? de acordo com as palavras de ordem proferidas a 15 de outubro, é difícil perceber. ao que li, os indignados não querem pagar uma dívida que juram não ser deles (é de quem?), acham a polícia "fascista" (quem não berra connosco é invariavelmente fascista), julgam-se no egipto actual ou no chile de 1973 ("o povo unido jamais será vencido" foi um slogan frequente) e, segundo o Dinis, 5 anos, inquirido pelo público na manifestação de coimbra, acreditam que "o pai natal já não vai voltar porque não tem dinheiro". algures, um cartaz proclamava: "inevitáveis são as minhas ideias.". arrogância à parte, a questão é: quais ideias? descer a avenida com uma t-shirt do Che a guinchar clichés revolucionários não traduz uma única ideia: traduz sobretudo a estrondosa falta delas."
alberto gonçalves in juízo final na revista sábado.
o estado de portugal
"Vivemos num limbo entre um passado glorioso e um futuro incerto, com medo de aspirar a ser alguma coisa, escondendo-nos atrás de uma capa esquartejada e negra que vestimos, na esperança da divina protecção e do milagre da prosperidade.
Trabalha-se menos quando é preciso trabalhar mais, pede-se quando não se dá, destrói-se quando não se constrói, espera-se que tudo mude quando nada se faz para mudar, corta-se onde dói menos e acrescenta-se onde não é preciso.
Por vezes, sinto-me rodeado de um mundo demasiado negro. Estou cansado de só ouvir falar de defeitos, daquilo que não temos, daquilo que não somos ou, pior, daquilo que já fomos e daquilo que poderíamos ter sido. Impera o pessimismo, que é bem aceite pela sociedade e visto como uma forma sensata de encarar a realidade do país. Ser pessimista é ser português, é ter os pés assentes na terra de um país infértil e impróspero, onde os mais espertos se safam, de onde os mais inteligentes fogem e onde os mais importantes se calam."
by Carlos Coelho em Portugal Emoísta .
"O real politik tornou-se um programa barato da TVI com shares altíssimos devido ao seu populismo, a sociedade portuguesa está apagada por toda a sua cultura de pobre bom vivant, coitado que não se ergue do ermo, ciclo de miséria intelectual rodeada de greves sem real proveito, novelas, futebol, reality shows deprimentes, centros comerciais e cafés. Gerações indignadas e à rasca, uns porque não conseguem furtar tanto quanto as figuras da nação outros porque os pais estão a ficar sem dinheiro para os sustentar. Não podemos exigir uma mudança de cima, mas sim uma mudança da base para o topo, apesar de ser contra esta hierarquia vertical, só assim ela se pode desmoronar. Não temos que exigir nada porque muito do que nos exigem nunca demos, chamem-me estadista, ou apenas defensor do estado mas olhemo-nos ao espelho."
Sendo este um tópico que irei estudar nos próximos meses, achei importante dar um ar da sua graça aqui no blog. penso que para além do tópico ser extremamente importante para mim como politics friendly , considero importante para qualquer português pensar na situação que estamos e no quanto não são apenas os políticos que têm de mudar. como jovem estudante e ainda dependente dos meus pais, talvez seja um luxo pensar da forma que penso, mas por comparação a outras culturas e estando presente a crise mais que social do que económica em que estamos, penso que é importante reflectir, não só no que está a acontecer, mas no porquê de estar a acontecer e no que podemos mudar por nós próprios, quer seja por cepticismo quanto ao governo, mas também por consciência individual do papel de cidadão e de principal intercedente na nossa própria vida.
se temos a capacidade de união quando a finlândia diz A ou B, ou mesmo quando a moody's nos baixa o rating e, ninguém sabe bem o que isso significa, também devemos saber unir-nos para lutar por um país e por uma vida melhor. e, por lutar por vida melhor tem que se entender que isto não é sinónimo de greve.
and today i saw the news that turkey had got to the finals of FIBA world championship and i was so proud of a country that although it's not mine, i really fell in love by its culture and got into deep of what it means to me.
later, i was checking the news and i got extremely disappointed and i could only think of my friends and how upset they were about the latest news in the political horizon of turkey: more power has been given to the conservative and religious strenghts of turkey. once again, the uneducated people were pressured and as a majority they gave the power to erdogan.
i guess here the line from 1984 stands out: sanity is not statistical.
blood, sweat and luxuries
a documentary of bbc three in which a group of british young people that are luxury goods' consumers goes to the process making of the products they are buying. although by this description almost reminds one tv show of mtv in whih rich kids would go for a week to some poor country, this one is different and considered as a documentary. not only you don't get the hysteria of the pop princesses, but you're really get in touch with different perspectives of the situation: the workers, the owners of the work plants, the inhabitants and all the business and effects on the local economy. it's a pretty serious documentary and it is interesting to see how any of us would react in the same situtation; not only you get to know the process of making but you can see as a worker what you would have to do, how much you'd have to get paid and the responsibilities you would have. and this is not about young people that spend all their money on gucci and prada's but even the middle and middle-upper class young consumers that are addicted to products that are considered luxurious but are getting more and more dispendable, such as top market cellphones, ipods, fancy bags or even the coffee you drink everyday.
to add up, i've been listening to lilly allen and i think there's a song that goes very well with the presentation of this programme here:
"I want to be rich and I want lots of money
I don't care about clever I don't care about funny
I want loads of clothes and fuckloads of diamonds
I heard people die while they are trying to find them
And I'll take my clothes off and it will be shameless
Cause everyone knows that's how you get famous
I'll look at The Sun and I'll look in The Mirror
I'm on the right track yeah I'm onto a winner
I don't know what's right and what's real anymore
And I don't know how I'm meant to feel anymore
When do you think it will all become clear
Cause I'm being taken over by the fear
Life's about film stars and less about mothers
It's all about fast cars and cussing each other
But it doesn't matter cause I'm packing plastic
And that's what makes my life so fucking fantastic
And I am a weapon of massive consumption
And it's not my fault it's how I'm programmed to function
I'll look at The Sun and I'll look in The Mirror
I'm on the right track yeah we're onto a winner
I don't know what's right and what's real anymore
And I don't know how I'm meant to feel anymore
When do you think it will all become clear
Cause I'm being taken over by the fear
Forget about guns and forget ammunition
Cause I'm killing them all on my own little mission
Now I'm not a saint but I'm not a sinner
Now everything's cool as long as I'm getting thinner"
"happiness is a warm gun" by the Beatles
Once i read this part in 1984 it immediatly reminded me of this song:
" Unlike Winston, she had grasped the inner meaning of the Party's sexual puritanism. It was not merely that the sex instinct created a world of its own which was outside the Party's control and which therefore had to be destroyed if possible. What was more important was that sexual privation induced hysteria, which was desirable because it could be transformed into war-fever and leader-worship. The way she put it was: "When you make love you're using up energy; and afterwards you feel happy and don't give a damn for anything. They can't bear you to feel like that. They want you to be bursting with energy all the time. All this marching up and down and cheering and waving flags is simply sex gone sour. If you're happy inside yourself, why should you get excited about Big Brother and the Three-Year Plans and the Two Minutes Hate and all the rest of their bloody rot?"
Once i read this part in 1984 it immediatly reminded me of this song:
" Unlike Winston, she had grasped the inner meaning of the Party's sexual puritanism. It was not merely that the sex instinct created a world of its own which was outside the Party's control and which therefore had to be destroyed if possible. What was more important was that sexual privation induced hysteria, which was desirable because it could be transformed into war-fever and leader-worship. The way she put it was: "When you make love you're using up energy; and afterwards you feel happy and don't give a damn for anything. They can't bear you to feel like that. They want you to be bursting with energy all the time. All this marching up and down and cheering and waving flags is simply sex gone sour. If you're happy inside yourself, why should you get excited about Big Brother and the Three-Year Plans and the Two Minutes Hate and all the rest of their bloody rot?"
That was very true, he thought. There was a direct intimate connection between chastity and political orthodoxy. For how could the fear, the hatred, and the lunatic credulity which the Party needed in its members be kept at the right pitch, except by bottling down some powerful instinct and using it as a driving force? The sex impulse was dangerous to the Party, and the Party had turned it to account. "
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